| Feli(z)Cidade |
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| Escrito por Tereza Cristina Tesser | |||
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Lutando por uma sociedade igualitária, embarcou na loucura de passar horas dentro de um ônibus, onde pessoas totalmente desconhecidas tinham a esperança como algo a ser dividido. Durante todo o percurso parecia anestesiada e sabia que só recuperaria os sentidos no domingo, às 18 horas. Nem a paisagem da Cidade Maravilhosa desviava a sua atenção. Ao chegar ao palco de seus desejos, subiu confiante a arquibancada como se galgasse os degraus de um palácio quimérico. Seus olhos brilhavam tanto que podiam, sozinhos, iluminar todo o ambiente. E aí começaram a desfilar as personagens tantas vezes cantadas. Eram índios, guerreiros, vagabundos, damas, artistas, reis... Todos iguais... Unidos numa só voz. Apesar da alegria contagiante, chorou por várias vezes. A bateria marcava cadenciadamente as batidas do seu coração. O verde e rosa de sua roupa faziam parceria ao samba, que, com justiça, homenageava os baianos. Por vezes, pensou ser a destaque da Grande Rio, em outros momentos era a rainha da bateria. Ou, apenas, mais uma que se juntava a toda aquela massa que ganharia o carnaval. Cada aplauso parecia ser somente seu. “Deixar essa cidade louca, com água na boca na Sapucaí”, repetia o refrão. E tudo se transformava em um tapete de esperanças, uma utopia real. Talvez tenha sido a mão de Deus que inspirou tanta beleza. Era certamente o perfume mais inebriante que já havia sentido. Podia, nesse momento, levitar ou, quem saber, operar algum milagre. Estava em estado de graça, e apesar da agitação ao seu redor, a paz foi finalmente vivida. Pegou o bonde, passou no boulevard, foi à França, virou amante dos poetas, predileta dos sambistas. Tornou-se enredo da Portela, destaque da Vila e passista da Tijuca. De repente, mesmo presa aquele pequeno grande espaço que ocupava, deixou de ser uma anônima porta-bandeira e rodopiou com seu mestre-sala fantasioso por cima de toda aquela avenida. Era, sim, naquele momento, uma mulher feliz. E, ao olhar um daqueles carros alegóricos imaginou ver o seu príncipe. Aquele por quem esperou por tantos carnavais. E cantou bem algo, para o povo inteiro ouvir: “me leva que eu vou, sonho meu...”
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Se a televisão brinca com o imaginário coletivo. Se os paradigmas da existência lutam contra o poder vigente, para ela, nada importava. As teorias da indústria cultural e cultura de massa, tantas vezes debatidas na universidade, tornaram-se banais. Afinal, queria ser feliz. E, há 30 anos desejava participar daquele espetáculo majestoso.














