Nara Leão “Musa da Bossa Nova” E-mail
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Nara Leão nasceu em 19 de janeiro de 1942. Foi uma das musas da Bossa Nova e, em seu apartamento no Rio, no começo dos anos 60 se reuniam os papas da MPB da época, de Roberto Menescal, um dos primeiros namorados de Nara, a Vinicius e Tom Jobim e Carlinhos Lyra.

Nelson Mota, em seu livro, Noites Tropicais, conta essas histórias.

Ronaldo Bôscoli (que também chegou a ficar noivo de Nara e casou-se com Elis) e João Gilberto  trataram de consolidar a Bossa Nova. O que era um movimento da garotada musical de então, acabou se tornando o grande sucesso internacional da música brasileira.

E Nara virou a “Musa da Bossa Nova”.

Nara Leão ficou famosa cantando A Banda, de Chico Buarque, num festival da TV Record nos anos 1960. Ela foi o exemplo da importância da interpretação e não mais do vozeirão na música brasileira.

Depois do golpe militar, em 1964, a mocinha meio tímida que reunia artistas em sua casa, passou a ser malvista pelos militares e quase foi enquadrada na lei de segurança nacional. O grande poeta, Carlos Drummond de Andrade, dedicou a ela um poema, onde a defendia das garras dos milicos da ditadura brasileira. Os intelectuais de então se puseram a defender a moça.

Nara foi a estrela, ao lado de João do Vale e de Zé Kéti, de um dos shows mais importantes da história da Música Brasileira: o “Opinião” (“Podem me prender, podem me bater, podem até deixar-me sem comer, que eu não mudo de opinião...). Quando fazia o show, ficou doente e escolheu a sua substituta: Maria Bethânia. Assim, Nara, indiretamente, acabou sendo responsável pela revelação de Bethânia, Caetano, Gil e Gal, os baianos que vieram tentar a sorte artística no sul maravilha.

Pouco depois, Nara estrelou outro show antológico: o “Liberdade, Liberdade”, que logo saiu de cartaz, proibido pela censura. Nara não era só a Musa da Bossa Nova, era também a musa do protesto. Todos os compositores importantes da época tiveram gravações suas.

Nara fez cinema, teatro, shows.

Casada com o cineasta Cacá Diegues, no auge da repressão da Ditadura Militar, viveu o exílio na Itália e na França. Teve dois filhos, Isabel e Francisco.

Foi uma das primeiras estrelas da MPB a superar o preconceito que este grupo tinha com relação ao grupo rival, o do iê-iê-iê ou a chamada Jovem Guarda, comandada por Roberto Carlos e considerada “alienada” pela turma politizada da MPB. Para escândalo de muitos, no final dos anos 1970, Nara gravou um LP (a bolacha de vinil, com seis faixas de cada lado) só com músicas de Roberto e Erasmo Carlos.

Nos anos oitenta começam seus problemas de saúde. Danuza Leão, sua irmã também famosa, fala sobre isso em um dos seus livros.

Mesmo doente, Nara continuou a carreira, fazendo sucesso no Japão, nos Estados Unidos e na Europa, em shows com seu amigo Roberto Menescal.

O câncer matou Nara Leão. Na tarde do dia 7 de junho de 1989. Mas ela continua bem viva nos seus muitíssimos discos e no coração daqueles que tiveram o privilégio de conviver com ela.



Tags: Bossa Nova  Rio  Tom Jobim  Musa  
 

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