Zuzu Angel

By on 31/03/2014

Sinopse: Brasil, anos 60. A ditadura militar faz o país mergulhar em um dos momentos mais negros de sua história. Alheia a tudo isto, Zuzu Angel (Patrícia Pillar), uma estilista de modas, fica cada vez mais famosa no Brasil e no exterior. O desfile da sua coleção em Nova York consolidou sua carreira, que estava em ascensão. Paralelamente seu filho, Stuart (Daniel de Oliveira), ingressa na luta armada, que combatia as arbitrariedades dos militares. Resumindo: as diferenças ideológicas entre mãe e filho eram profundas. Ela uma empresária, ele lutando pela revolução socialista e Sônia (Leandra Leal), sua mulher, partilha das mesmas idéias. Numa noite Zuzu recebe uma ligação, dizendo que “Paulo caiu”, ou seja, Stuart tinha sido preso pelos militares. As forças armadas negam e Zuzu visita uma prisão militar e nada acha, mas viu que as celas estavam tão bem arrumadas que aquilo só podia ser um teatro de mau gosto, orquestrado pela ditadura. Pouco tempo depois ela recebe uma carta dizendo que Stuart foi torturado até a morte na aeronáutica. Então ela inicia uma batalha aparentemente simples: localizar o corpo do filho e enterrá-lo, mas os militares continuam fazendo seu patético teatro e até “inocentam” Stuart por falta de provas, apesar de já o terem executado. Zuzu vai se tornando uma figura cada vez mais incômoda para a ditadura e ela escreve que não descarta de forma nenhuma a chance de ser morta em um “acidente” ou “assalto”.

Crítica: Zuzu Angel era uma estilista conhecida no Brasil que começava a fazer sucesso nos Estados Unidos quando sua vida mudou drasticamente. Seu filho Stuart Angel Jones foi preso, torturado e morto pela ditadura militar, mas a verdade só foi aparecendo aos poucos, após muita luta e desespero dessa mãe incansável. Zuzu Angel jamais se conformaria com desculpas escusas nem com ameaças. Ela precisava mostrar ao mundo sua dor. Com muitas cartas a jornais e à classe artística, conseguiu apoios importantes como a anistia internacional e o compositor Chico Buarque de Holanda. Sua história merece sempre ser relembrada para que nunca esqueçamos o que aconteceu nesse país.

zuzu_angel_passeataPor isso, o filme de Sérgio Resende de 2006 é válido, como homenagem e denúncia. Infelizmente, o diretor de Salve Geral e Canudos não acertou suficientemente a mão e seu longametragem não conquistou a atenção que sua protagonista merecia. Zuzu Angel poderia ser o nosso A Troca. Os mesmos elementos estão ali, uma mãe desesperada em busca de seu filho, um sistema opressor omitindo a realidade e querendo fazê-la de louca, um homem tentando ajudá-la. Se Clint Eastwood dirigisse Zuzu poderíamos ter um filme explêndido.

Os problemas começam na construção do roteiro, de autoria do próprio diretor, bastante picotado com uma narrativa não linear e a voz over de Patrícia Pillar costurando a história. O filme perde a força da busca. Vemos recortes quase como esquetes de uma vida fragmentada pela dor, mas não conseguimos nos envolver nessa dor ao ponto de nos prendermos ao drama porque no mesmo momento que vemos Daniel Oliveira pendurado em um pau de arara, o vemos sorrindo deitado em seu sofá, ou o personagem pequeno brigando com os coleguinhas que chamaram sua mãe desquitada de vagabunda.

A dor daquela mulher perde e retoma o foco na construção confusa e nos dispersa em vários momentos, apesar de algumas sequências memoráveis como a de Elke Maravilha cantando em uma boate com Luana Piovani, que interpreta a atriz no filme, traduzindo a música-denúncia para Zuzu Angel. Ou ainda as fortes cenas de tortura e o desfile em Nova York após a descoberta do que aconteceu ao filho da estilista. Algumas cenas soam estranhas e desnecessárias, sendo no geral o filme muito aquém do que poderia diante do argumento.

Palmas para Patrícia Pillar que soube interpretar muito bem a dor daquela mulher que como dizia a música de Chico “só queria embalar seu filho que mora na escuridão do mar”.

Zuzu Angel (Zuzu Angel,Brasil – 2006)

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Com: Patrícia Pillar; Daniel de Oliveira; Luana Piovani; Leandra Leal.
Direção: Sergio Rezende.
Duração: 110 min.
Gênero: Drama.

 

 

 

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